segunda-feira, 29 de junho de 2015

PT e meus Professores – Ou Avante Licenciaturas (a Todo Custo)!

Uma vez vi um historiador comentar, quando perguntado sobre o que ele pensava que ocorreria em determinado conflito no mundo – tanto faz qual era – e o cara respondeu algo assim: “um historiador estuda o passado. Portanto, sabe tanto do futuro quanto qualquer pessoa”. Se levarmos em consideração que a história do mundo é cíclica – constituída por repetições –, é claro que um estudioso desse porte deveria ter, ao menos, noções do que poderia acontecer, tal como alguns autores literários que previram “fatos” (leia-se tendências) através de seu talento quanto à observação social. Enfim, o que vale aqui é a exemplificação. Meu foco é outro… meus inestimáveis ídolos: os professores, os verdadeiros detentores do conhecimento. Refiro-me aos professores de todas as matérias que não se viram caindo numa armadilha estúpida (logo revelarei qual é essa armadilha, embora eu já tenha dado “spoiler” a respeito no título), mas resguardo alguns comentários especiais para os de português e literatura, como será visto ao longo do texto.
Pelo que pude observar, ao menos nas instituições em que estudo/leciono, os professores em maioria estavam encantados pelas propostas educacionais do PT, como se fossem nelas residisse uma espécie de Terra Prometida. Alguns deles incitavam fervorosamente que os alunos votassem no PT e ficaram aliviados quando Dilma venceu porque, com sua reeleição, programas como PIBID não estariam ameaçados. Comecemos então: em primeiríssimo lugar, professores de gramáticos e comedores de grama, viram quem é o emblema máximo da política brasileira? Viram quem era Lula e Dilma e sua linguagem perfeita, sua coerência incontestável? Sim, devem ter visto. Vocês passam semestres inteiros tentando ensinar seus alunos a escrever e falar corretamente, a se expressar com coesão e nexo, para entregar tão faceiramente seu voto as duas mulas como essas? No Google, são facilmente encontráveis pérolas grotescas (em nível de pérolas do Enem) dessas duas entidades politicas… mesmo assim, elas puderam convencer-vos, caríssimos professores? Só olhais para o passado (leia-se o próprio rabo) e não vedes mais nada?
Já vi pós-doutores de literatura apoiando esses irremediáveis jumentos. O que adianta tanta formação se, na hora de pôr em prática o que aprenderam, de refletir bem sobre a situação, fazem besteira? Ah, sim, as propostas… uma das características mais comuns na política brasileira – em especial, no partido em questão – é criar simulacros de solução. Parecem solução, mas não tem a efetividade duradoura de uma solução real. São tiros com balas de festim; fogos de artificio que fazem o céu relampejar num instante – e pessoas vibrarem de emoção – e somem logo em seguida. Pois, ao que tenho acompanhado (o pouco que tenho – sou meio alienado e gosto de ser assim… perde-se tempo demais acompanhando o mundo e suas birras e “velhas novidades”), vejo que nada a situação dos professores continua precária em mais de 12 anos de PT (e a Dilma ainda consegue facilmente os votos dos professores). O professor ainda é desvalorizado e ainda será por muito tempo ao que posso prever… deduzir. O FIES, até onde sei e até onde ele me ajuda, posso dizer que sim, foi algo bom, ótimo, que deveria ter acontecido antes; no entanto, valoriza-se muito em terras tupiniquins a quantidade e não a qualidade. Preocupam-se mais com quantos estão frequentando escola e faculdade e acabam por esquecerem-se da qualidade do ensino, pois, se todos tiverem educação, vendo que há tantos professores despreparados por aí e tantos outros serão formados às pressas para acatar a crescente demanda, o nível do ensino decairá mais ainda, como tem ocorrido nas últimas décadas. Por isso, aliás, que o governo, as instituições querem arrastar todo mundo para as licenciaturas. E quem entra num curso de licenciatura, dificilmente consegue trocar de curso (tipo filme de terror, tipo tentar cancelar plano da operadora). Assim, o governo não precisa valorizar os professores – como suponho, não precisará enquanto não houver real necessidade disso (a falta de professores é uma necessidade contornável para o governo, como se pode ver).
A utopia em que serão valorizados como reis que os professores esperam como se fosse a “Arrebatação” prevista por algumas igrejas nunca acontecerá, ao que prevejo, e devíamos, eles deviam saber lidar com isso ou saber requisitar isso com mais inteligência (e dignidade). Deste modo, foram os professores enganados por tantas promessas, por tanta ignorância, a despeito de suas formações, ideologias, sabedoria, etc. Provavelmente, serão outras vezes… e, aparentemente, por qualquer mula. Interessante que os mesmos professores que estavam apoiando Dilma no ano passado ficaram felizes quando sua polaridade caiu. Isso só evidencia como são obtusos muitos de nossos “educadores”. E facilmente compráveis, pois qual diferença há entre os nordestinos de quem tanto reclamamos, comprados por um saco de cimento ou um quilo de arroz, e os professores, comprados por qualquer proposta? Qualquer projetinho que lhes dê mais lucro? Pensam no bem-estar de todos e não somente no próprio bolso ao votar em mulas que lhes prometem meia dúzia de baboseiras? Veem a sociedade como um todo pensando exclusivamente em suas vantagens imaginárias?
Para encerrar, declaro que não apoio nenhum partido ou político. Sendo assim a ideia principal desse texto não é atacar um partido isolado, mas pôr em xeque todos igualmente, incluindo os professores e demais profissionais. Pois diploma não é prova de sabedoria – e nem atesta condições de exercer o direito/dever de votar.

            

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