segunda-feira, 29 de junho de 2015

O Patriotismo Literário Brasileiro – A Burrice que Restringe!

No tempo em que tenho cursado faculdade de Letras – essa baita gincana por publicações – venho percebendo uma realidade que, se não afeta a todos, afeta a uma grande parte de pseudoliterários: o “brasilianismo absoluto”. Só estudam a literatura brasileira por acharem que estão conhecendo as raízes literárias do país, não se dando conta de que elas são, na verdade, cosmopolitas. Pois nossos melhores autores são cosmopolitas – leram grandes autores de todas as épocas que os antecederam, de todas as nacionalidades, não mantendo preconceitos para com nenhuma senão apenas no que tange à sua qualidade. Ou seja, foda-se se a nacionalidade da literatura ou sua temporalidade – assim como foda-se o seu contexto social e tudo que lhe é adereço e não essência humana. Importa se é atual – se mesmo nos dias de hoje causa-nos impacto – e se figura como uma obra cuja leitura nos é imprescindível. Como tratar de certos assuntos sem perguntarmos a Dostoievski, a Shakespeare, a Proust, a Oscar Wilde, entre outros, o que eles pensam sobre? Falar sobre violência, por exemplo, sem pagar uma vodca pro Dosto? Ou uma garrafa de xerez pro Shakes? Queremos realmente chegar a algum lugar ou brincar de “Ciranda-cirandinha”?
          Óbvio que Freud entendia mais sobre a marginalidade brasileira sem nunca tê-la estudado. Óbvio que Nietzsche entendia mais sobre sexualidade – sendo quase cabaço – do que qualquer puta. Ser vítima de um mal não significa entendê-lo melhor do que quem somente observa; e experiência quer dizer nada também. Pois, então, todas as putas do mundo seriam sexólogas – e boas de cama. Xamanismo é o que faz o gênio… um poder de observação e de criação (imitação da essência de homens e mulheres sob suas vestes sociais) semidivinos. Sim… alguém pode estudar a vida inteira e não tornar-se gênio de coisa alguma – é o que mais ocorre, por sinal – e outro tornar-se gênio tropeçando em pedras na rua (ao contrário do que a democracia nojentona de hoje afirma – e nossos amados doutores bem-feitores que só leem literatura brasileira e perdem não só o deleite de outros autores, outros universos, mas também deixam de aprender maravilhas… ah, sim, claro… eles amam o conhecimento! Lindões eles! Mimosos!).
          Em verdade, não me preocupo com os professores e leitores manés que só se interessam por literatura brasileira – que vão para o diabo! –, mas sim com a ditadura cultural que eles propõem. Em faculdades, entre autores e leitores de araque, só se aborda e estuda esse brasilianismo absoluto. E alunos, leitores ou autores com grande potencial acabam por padecer desse fanatismo sem nexo, sendo que Machado de Assis e Graciliano Ramos, por exemplo, eram grandes leitores do mundo. Esses jumentos que impõem ditadura patriótica devem entender que antes de ler suas raízes, de pintar as cores de sua tribo, deve-se antes ler e pintar o mundo. Deve-se conhecer o homem, a mulher, por debaixo da carne, não apenas sobre suas vestes, senão seremos como muitos professores de literatura – xérox da wikipedia sem fluência de pensamentos –, que só leem análises e não os livros analisados. Sim, são esses “gênios” que não somente querem nos ensinar sobre literatura, não lendo livros mas críticas e análises que ficam devendo à obra original – quando não falam bobagens sobre ela –, como também impor a ditatura da análise, da crítica sem conteúdo. Ademais, não compõem um verso de um poema ou um parágrafo de um texto literário para justificarem a escolha de sua carreira. Professores de literatura ultra patrióticos que não leem nem escrevem literatura… me parece metáfora do novo mundo.  

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