segunda-feira, 29 de junho de 2015

Gente que Deveria Ler Menos e Calar-se Mais!

“Li dez livros neste mês”. “Por minha vez, eu li vinte livros”. “E eu, duzentos livros só hoje”. “Tá, mas qual é a diferença?” Acho interessante como existem pessoas que gabam-se de ler ou ter lido muitos livros – nem perceberam que a moda de gabar-se por leituras realizadas já acabou ou está prestes a acabar (vão por mim, gente fucking leitora: as pessoas estão interessadas em outras formas de “ostentação”… recomendo escolherem outro hábito com o qual blasonar sua importância social) –, na maioria das vezes, nada diz que corresponda ao número e densidade de suas leituras. Já vi muita gente dizer-se leitora e, de fato, atestar que leu esse e aquele clássico da literatura, e continuar sendo um jegue ao falar sobre qualquer assunto. Pessoas que devoram livros e, quando lhes sobrevém alguma situação sobre a qual devem comentar, não dizem nada que se aproveitem. Escrevem horrivelmente em suas análises pomposas, sendo o oco que ecoa no vazio. Isso quando não resolvem transformar em “ursinho carinhoso” algum autor (transformá-lo a todo custo em uma criatura fofinha e humanizadora). Então, eu pergunto: para que ler tanto, se nada absorvem ou conseguem articular? Por que não vão ver telenovelas em vez de perderem horas e horas lendo? Ou, se querem ostentar cultura literária, façam como doutores de literatura que conheci, que nada leem e buscam resumos e análises na internet. Mas não abram a boca em hipótese alguma que não sejam para dizer li esse ou li aquele.
Outra gente que me irrita profundamente é o pessoal que adotou como alcunha de religião o termo “literatura fantástica”. E esses fantásticos leitores só querem saber desse gênero de literatura. Lindo, não? A meu ver, concordando com Wilde, existe literatura com ou sem qualidade… e acaba por aí a importância das nomenclaturas. Quem somente lê (e defende como religião) literatura fantástica, não sabe o que está perdendo na “literatura normal”, assim como as pessoas que não gostam de literatura fantástica podem estar perdendo ótimas obras, dependendo de como foram idealizadas e não de seu gênero. Pensam que são taxados por infantis por gostarem de literatura fantástica, mas, na realidade, é seu fanatismo que os torna infantis – e não somente os fazem parecer. 
Meu última crítica vai para os críticos de cinema modernos e amadores (imagino que os verdadeiramente profissionais não se enquadrem nessa crítica… espero que não), os quais têm por habitats redes sociais, sites de crítica cinematográfica e plagas onde o bom senso artístico mostra-se ausente em muitos casos. Desta vez, vou recomendar o oposto do que está no título desse texto: leiam, leiam muito. Leiam como se não houvesse amanhã. Pois pode-se dizer que o cinema deriva quase que completamente da literatura (até o Rambo veio dos livros). Ademais, tendo-se contato com a matéria-prima de muitas obras cinematográficas, aprofundando-se em leituras fortes, pode-se comentar os filmes com mais criatividade e perspicácia e não da forma que tenho visto. Pois críticos amadores têm me levado a pensar, por seus comentários rasos e expectativas infantis, que gostam de telenovelas e não de filmes. Ainda estão na infância da crítica e não em seu zênite, ponto de começo para quem leva a arte a sério. 

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