domingo, 10 de março de 2013

Momento Sátiro...

É com muito orgulho (e um pouco de engulho), que apresento a vocês o final da série Fim de Toda Existência (não me aguentei e decidir revelar-lhes – mas, assim mesmo, não deixem de comprar as 32 edições subsequentes ao Prelúdio do Fim, spin-offs e os álbuns de figurinhas, e de assistir o seriado, ler o mangá e ver o anime ;) ). Esse epílogo baseia-se em fatos reais – já aconteceu, mas, naturalmente, quase ninguém se lembra. Bom, aproveitem que não é sempre. Eis:

Depois de haver destroçado milhões de hordas de lucíferes com a espada da justiça (e perdido todos a quem estimava nesse prélio hórrido), resolvera aposentar-se das batalhas o infausto herói e assumir vida trivial. Empregou-se num escritório de contabilidade, já fazia seis meses. Em meio ao mormaço de verão agreste, de costume, rumou para o escritório após o almoço, sem deter-se por nada no caminho. Ele tinha afazeres a concluir em seu intervalo e, por isso, se apressou. Chegando na entrada do edifício, cuja porta mantinha-se eletronicamente trancada, acionou o interfone. Nisso, lhe perfurou as costelas um tiro incorpóreo:
“DE-MO-CRA-CIA… TE-O-LO-GIA… Viu? Tem a ver…” Disse X, uma das três sentadas no pequeno muro que delimitava a empresa. Eram colegas de trabalho a quem ele sempre procurou evitar. Enquanto quebrava a socos o interfone, houve mais golpes fatais na velocidade da luz:
“Isso tem a ver com o capitalismo!” Falou a Y.
“O que é capitalismo?” Indagou X, a teóloga.
“Ah, capitalismo está em toda a parte. Tu liga a TV, estão falando de capitalismo”. Respondeu Y, brutalmente. Em pavor alucinante, ele descobriu que até sob as pedras de bueiros havia capitalismo, escorrendo. Agonizando, esvaindo-se em sangue, triturados os órgãos internos, em atroz desespero tentou varias vezes acionar o interfone na esperança de que a porta fosse aberta em tempo, e ele pudesse abrigar-se no prédio para morrer em paz. Mas já era tarde demais.
“Capitalismo é quando uma nação domina outra…” proferiu Z, que se mantivera quieta até então. Ele estava morto, frio, duro e extinto… MORTO! E seu corpo apodreceu em poucos segundos. Todos os seres morreram e se decompuseram instantaneamente. As águas, os ventos, deixaram de existir, tornando-se ambos os elementos uma mistura viscosa de horror e coisa nenhuma (via-se claramente pedacinhos de capitalismo nela emborcados, às vezes emergindo na forma de olhos…). O sol congelou-se e se quebrou feito uma taça de vidro ao cair no chão. As demais estrelas, apagadas, tornaram-se vórtices e devoraram-se mutuamente até apenas sobrar treva congelada. E nada sobreviveu, a não ser Deus, que, de antemão, viu que não era bom e prescindiu de sua onisciência por meros instantes. Morreu por querer; mas vivo eis que ressurge após a universal catástrofe. Suas hostes, os planetas do céu, os círculos do inferno, todos desfeitos e vaporados. Nada existia senão ele. “Refazer ou não refazer o universo tal como era; eis a blasfêmia!”. Tirou uma moeda de suas vestes empíricas e jogou-a para cima, no vácuo inefável. Pegou-a e conferiu. Sorriu ao ver que isso era bom… boníssimo. Novos tempos de aleluia.

(THE END!)

“QUERO CAFÉ!!! QUERO CAFÉ!!! QUERO CAFÉ!!! ISSO AQUI É UMA PORCARIA! DESCULPE…”
Tiozão do café lives again…