segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Monólogo de Hamlet (William Shakespeare)

(Hamlet, Ato II, Cena 1)
Ser, ou não ser - eis a questão.
O que é mais nobre para a mente sofrer
Os dardos e setas de destino cruel
Ou pegar em armas contra um mar de desgraças
E pela resistência pôr-lhes fim? Morrer, dormir;
Nada mais? E com o sono, dizem, terminamos
O pesar do coração e os inúmeros naturais conflitos
Da carne herdados. Eis um epílogo
Devotamente desejado. Morrer, dormir.
Dormir - sonhar talvez. Eis a dificuldade.
Nesse sono da morte, que sonhos virão
Quando nos libertarmos do invólucro mortal
Devemos nos deter. Aí está a reflexão
Que dá à desventura uma vida tão longa.
Pois quem suportaria os insultos e desdéns do tempo,
A injúria do opressor, a afronta do soberbo,
As angústias do amor desprezado, a morosidade da lei,
As insolências do poder, e as humilhações
Que o mérito paciente tem do indigno,
Quando ele próprio pudesse encontrar repouso
Com uma lâmina nua?
Quem suportaria tão duras cargas,
Gemendo e suando sob uma vida penosa,
Se não fosse o temor de algo após a morte -
Região misteriosa, fronteira de onde
Nenhum viajante retornou - confundindo a vontade,
E impelindo-nos a suportar os males que nos afligem
Em vez de nos lançarmos a outras que não sabemos?
Assim nossa consciência nos faz covardes em tudo.
E assim a cor nativa de nossas resoluções
Se debilita na pálida sombra do pensamento,
E as empreitadas de maior alento e importância
Com semelhantes reflexões desviam seu curso
E perdem o nome de ação.


(Hamlet, Act II, Sc 1)
To be, or not to be - that is the question.
Wheter 'tis nobler in the mind to suffer
The slings and arrows of outrageous fortune
Or to take arms against a sea of troubles
And by oppossing end them? To die, to sleep;
No more? And by a sleep, to say we end
The heart-ache and the thousand natural shocks
That flesh is heir to. 'Tis a consumation
Devoutly to be wished. To die, to sleep.
To sleep - perchance to dream. Ay, there's the rub.
For in that sleep of death, what dreams may come
When we have shuffled off this mortal coil
Must give us pause. There's the respect
That makes calamity of so long life.
For who would bear the whips and scorns of time,
Th' opressor's wrong, the proud man's contumely,
The pangs of despised love, the law's delay,
The insolen of office, and the spurns
That patient merit of th'unworthy takes,
When he himself might his quietus make
With a bare bodkin?
Who would these fardels bear,
To grunt and sweat under a weary life,
But that the dread of something after death -
The undiscovered country, form whose bourn
No traveller returns - puzzles the will,
And makes us rather bear those ills we have
Than fly to others that we know not of?
Thus conscience does make cowards of us all.
And thus the native hue of resolution
Is sicklied o'er with the pale cast of thought,
And enterprises of great pitch and moment
With this regard their currents turn awry
And lose the name of action.

Ossadas do Passado (Confissões de um Escritor) - Texto Excluído

 Fiz este texto para ser uma introdução de meu livro "Fim de Toda Existência - Prelúdio do Fim e Outros Escritos", mas acabei desistindo de incorporá-lo à obra, pois, depois de bem analisá-lo, acabei considerando-o inadequado por denotar certo favoritismo. Enfim, ei-lo abaixo.


Conceitos da Leitura (Análise das Artes)


Analisando as vertentes artísticas segundo suas percepções, as artes visuais possuem arrebatamento de maior instantaneidade do que as auditivas, por serem os olhos os imediatos captadores do mundo externo ao individual e o fulcro de nossa razão. As artes cênicas, por sua vez, abarcam a visão e a audição, sendo seu impacto de redobrada intensidade e fruição instantânea, já que a idéia que contextua a beleza da arte é absorvida e canalizada de duas diferentes formas, facilitando assim, tanto o entendimento do respectivo assunto quanto o afloramento das emoções.
       Entretanto, a arte de ler não é fecunda aos olhos, tampouco aos ouvidos ou a qualquer outro captador; todo seu processo produtivo e fruição manifestam-se na mente sem a menor influência de seus receptores, cuja função, neste caso, é neutra. Por conseguinte, sua percepção requer demasiado tempo e esforço em comparação às demais. Podemos enxergar perfeitamente cada página, identificar cada letra e sua respectiva função, porém, o desdobrar de uma ideia, o fulgor de um raciocínio, será nulo caso não compreendamos a amplitude de seu significado. De fato, a leitura é o deleite da mente. Livros nada mais são do que a materialização de pensamentos, concebidos pelo conhecimento e desenvolvidos pela imaginação, feitos para enraizarem-se em um intelecto compatível. Sendo a mente a regente de todo o universo-corpo, inclusive, dos sentidos e seus captadores, torna-se esta a justificativa de maior teor para a complexidade e imprescindibilidade da leitura.
Portanto, milênios após sua criação, a literatura continua sendo a arte suprema e a mais rica herança de conhecimento. O imortal registro de um ser, de um povo, de toda uma existência; o fogo que reacende as cinzas de nossas origens. Podemos conhecer diversas culturas, pessoas e lugares, a partir de uma boa leitura, criando uma conectividade com os grandes pensadores de distintas épocas. Aliás, é esse o método mais eficaz para ampliar e fortalecer as capacidades intelectuais, o que forja a interioridade de um indivíduo e a cultura de uma nação. Pode-se dizer que toda a Vida está descrita nos livros. Até mesmo, os mundos que pairam na ilusória fronteira do existir.

WATCHMEN – TÍTULOS & FRASES DE ENCERRAMENTO

         No final de cada edição, há uma frase de algum artista ou pensador, sempre coincidente à temática do capítulo (geralmente, é uma continuação do título). Segue abaixo os títulos e as frases de encerramento de todas as edições.  
    
1 – À MEIA-NOITE TODOS OS AGENTES… (“À Meia Noite todos os agentes e super-humanos saem e prendem qualquer um que saiba mais do que eles.” Bob Dylan)


2 – AMIGOS AUSENTES (“E eu estou desperto quando irrompe a aurora, embora meu coração padeça. Deveria estar brindando a amigos ausentes e não a estes comediantes.” Elvis Costello


3 – O JUIZ DE TODA A TERRA (“Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” Genesis, capítulo 18, versículo 25)


4 – RELOJOEIRO (“A liberação do poder do átomo mudou tudo exceto nosso modo de pensar… A solução para este problema reside no coração da humanidade. Se eu soubesse disso, teria me tornado um relojoeiro” – Albert Einstein)


5 – TEMÍVEL SIMETRIA (“Tigre, Tigre, ardente açoite, / Nas florestas da noite / Que imortal olho ou guia / Pode captar-te a temível simetria?” W. Blake)


6 – O ABISMO TAMBÉM COMTEMPLA (“Não enfrentes monstros sob pena de te tornares um deles. Se contemplas o abismo, a ti o abismo também contempla.” – Friederic Nietzsche)


7 – IRMÃO DOS DRAGÕES (“Eu sou irmão dos dragões e companheiro das corujas. A pele que me recobre é negra e meus ossos estão calcinados pelo calor.” Jó, capítulo 30, versículo 29-30)

8 – VELHOS FANTASMAS (“No dia das bruxas, os velhos fantasmas vêm até nós. Para alguns, eles falam; para outros, são mudos.” Dia das Bruxas, Eleanor Farjeon)


9 – AS TREVAS DO MERO SER (“Até onde podemos discernir, o único propósito da existência humana é lançar uma luz nas trevas do mero ser.” C. G. Jung – Memórias, Sonhos e Reflexões)


10 – DOIS CAVALEIROS ESTAVAM SE APROXIMANDO… (“Lá fora a distância um gato selvagem rosnou, dois cavaleiros estavam se aproximando. O vento começou a uivar.” – Bob Dylan)


11 – CONTEMPLAI MINHAS REALIZAÇÕES, Ó PODEROSOS… (“Meu nome é Ozymandias, rei dos reis: contemplai minhas realizações, ó poderosos, e desesperai-vos!” Ozymandias – Percy Bysshe Shelley)

12 – UM MUNDO FORTE E ADORÁVEL (“Seria um mundo mais forte, um mundo forte e adorável onde morrer.” John Cake)



quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ossadas do Passado - Confissões de um Escritor (Parte I)

Nestes espaços (Confissões de um Escritor), postarei textos de minha autoria mais antigos (dos quais não consegui me desapegar) e, de certo modo, pessoais, tal como que segue abaixo, feito em decorrência de um curso de teatro cuja seleção requeria a criação de um texto em que o candidato expunha seus motivos para querer participar do curso. Os melhores argumentos venciam. Se eu passei ou não, é irrelevante; o que importa é conteúdo que me restou, que retrata uma de minhas perspectivas sobre a arte (pela centésima vez, dou marretadas na mesma tecla - logo chegarei à milésima vez). Segue abaixo:

A arte; quem poderia defini-la, delineá-la? Quem ousaria construir cercanias no infinito mar para delimitá-lo, aprisionar em rígidos conceitos a eternidade? Ninguém conseguiria, nenhuma mente de amplitude almejaria tão hedionda pena. É através dela que rompemos as limitações do pensamento, que se afloram as mais profundas emoções, que se liberta a alma da cotidiana mediocridade. A vida nada é sem a arte. E é unicamente nos trabalhos cênicos, que ambas se encontram. Não há outros métodos que materializam a arte com tanta força, com tanto ardor. Apenas no teatro existe a interação plena da ficção com a realidade; os personagens estão vivos (não são pinturas, trechos de um livro, tampouco ilusórias imagens), são tangíveis e passíveis da interioridade humana (sofrem, desfrutam, choram, riam, preocupam-se, invejam, desejam, etc), iguais ao público que tão perto os assiste. Os espectadores procuram nas ações dos atores integrar-se à trama, assim como, os artistas pela reação de sua platéia acrescem-se de ânimo para desenvolver mil faces. A empatia e a fruição são mútuas. Existências refletidas. De tão intensa e sublime a conectividade palco/público e sua profusão de sentimentos, a sensação de se estar num teatro é indizível tanto para quem assiste, quanto para quem estabelece o encanto do espetáculo.
“Toda vida é uma peça de teatro; a diferença é que, apenas nós artistas, sabemos disso”.
Trecho do projeto Anjos.
      

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ilustrações de Gustave Doré - Cruzadas

Paul Gustave Doré (1932 – 1983) foi um magistral pintor e ilustrador francês que, sendo um contumaz apreciador da literatura, empregou seu talento para ilustrar diversos livros clássicos, entre os quais estão Paraíso Perdido, A Divina Comédia, O Corvo, Dom Quixote, Abalada do Velho Marinheiro e várias fábulas. Foi um divisor de águas em sua área tamanho era o brilhantismo de suas obras. Ao morrer, legou-nos mais de 10.000 trabalhos.

Cruzadas (Cruzades)

A Celestial Light

A Friendly Tournament

An Enemy of the Crusaders

Apparition of Saint George on the Mount of Olives

Assassination of Henry of Germany

Blondel Hears the Voice of Richard

Bohemond Alone Mounts the Rampart of Antioch

Celestial Phenomena

Children’s Crusade

Christian Chevaliers Captive at Cairo

 
Crusade Against the Moors of Granada



Crusaders Surrounded by Saladin’s Army

Dandolo Preaching the Crusade


Death of Baldwin I

 

Death of Frederick of Germany


Dishonorable Truce


Edward III Kills his Attempted Assassin

Entry of the Crusaders into Constantinople


Florine of Burgundy

For the Defense of Christ

 
Gaining Converts

Gerard of Avesnes Exposed on the Walls of Asur
 
Godfrey Enters Jerusalem

 
Godfrey Imposes Tributes upon Emirs

 Hospitality of Barbarians to Pilgrims

Ilghazy Gives Gauthier his Life

Ilustrações de Gustave Doré - O Corvo (The Raven)

Paul Gustave Doré (1932 – 1983) foi um magistral pintor e ilustrador francês que, sendo um contumaz apreciador da literatura, empregou seu talento para ilustrar diversos livros clássicos, entre os quais estão Paraíso Perdido, A Divina Comédia, O Corvo, Dom Quixote, Abalada do Velho Marinheiro e várias fábulas. Foi um divisor de águas em sua área tamanho era o brilhantismo de suas obras. Ao morrer, legou-nos mais de 10.000 trabalhos. (Obs: nota-se que o título da ilustrações são fragmentos do poema)
Cover
List of illustrations with engravers - page 1
List of illustrations with engravers - page 2
Plate 1 - Title Page
Plate 2 - Nevermore
Plate 3 - ANATKH (Inevitability)
Plate 4 - A Midnight Dreary
Plate 5 - Bleak December
Plate 6 - Vainly I had Sought to Borrow
Plate 7 - Sorrow for Lenore
Plate 8 - Nameless Here for Evermore
Plate 9 - Some Late Visitor
Plate 10 - Darkness there and Nothing More
Plate 11 - Dreams No Mortal Ever Dared to Dream Before

Plate 12 - Something at My Window Lattice
 
Plate 13 - Open here I Flung the Shutter
Plate 14 - Not the Least Obeisance Made He

Plate 15 - Perched Upon a Bust of Pallas
Plate 16 - Wandering from the Nightly Shore
Plate 17 - Other Friends Have Flown Before
Plate 18 - Fancy Unto Fancy
Plate 19 - Velvet Lining
Plate 20 - Respite and Nepenthe
Plate 21 - By Horror Haunted
Plate 22 - Balm in Gilead
Plate 23 - Whom the Angels Name Lenore
Plate 24 - Bird or Fiend!
Plate 25 - Back into the Tempest
Plate 26 - My Soul from out that Shadow
Plate 27 - The Secret of the Sphinx